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GÜTHER, Helen Fischer. PRÁTICAS DE LIDERANÇA NA ESCOLA PÚBLICA: UM ESTUDO COMPARATIVO. Tese, 2017.

As escolas e o trabalho pedagógico são de relevância social inestimável
e a liderança é um dos fatores que contribuem para a melhoria da
qualidade de um centro de ensino. Pelas peculiaridades das escolares
públicas brasileiras, a abordagem da liderança como prática se mostra
um caminho viável, promissor e alinhado ao enfrentamento dessa
realidade. Com esta tese busquei compreender o processo de liderança
em duas escolas públicas de ensino fundamental, sob a perspectiva da
liderança como prática, no município de Florianópolis (SC). Para tanto,
utilizou-se o método da pesquisa qualitativa, mediante anotações de
campo e entrevistas dos colaboradores que compunham a equipe de
gestão de cada escola: nove pessoas em uma escola e cinco pessoas na
outra. Sobre as transcrições e anotações de campo foi aplicada a análise
temática, a partir da qual foram identificadas 12 práticas de liderança:
“conjuntação”, criação e fortalecimento de vínculos, facilitação e
suporte, “formativação”, gestão de conflitos, gestão de urgências,
orientação, planejamento, gestão partilhada, acompanhamento, educação
por projetos e readaptação. As práticas que mais contribuem para a
dinâmica do processo de liderança e demonstram mais consistência são:
criação e fortalecimento de vínculos; readaptação; “conjuntação”; gestão
compartilhada; e orientação. As descrições das práticas de liderança
foram feitas com base em seus principais elementos: pessoas, ação,
modo, motivos e contexto. Percebi livre inter-relação entre esses
elementos e a massiva influência do contexto não institucional sobre
essas práticas. Concluí que o trabalho de liderança é em grande parte
emergente e baseado na experiência, pela influência e imprevisibilidade
que o contexto exerce sobre a prática. O diálogo, a conversa, o
acompanhamento, a união, a aproximação, o vínculo e o senso de
missão compõem a maneira pela qual a liderança escolar é efetivada.

 

Link para download: Helen Gunther

SANTOS, Fabiana Besen. O processo de liderança em contexto espiritualizado: a Escola Waldorf Anabá. Tese, 2015.

Este trabalho se propõe a estudar como acontece o processo de liderança em organizações intensivas em conhecimento com um contexto espiritualizado. Nesta pesquisa, considero as escolas como uma organização intensiva em conhecimento, visto que em suas atividades fazem uso do conhecimento e, ainda, seu produto final está baseado no conhecimento. Realizei a revisão da literatura com diversas estratégias de buscas em bases nacionais e internacionais. Nas buscas nacionais, utilizei três estratégias, com os descritores: liderança, espiritualidade e OIC; liderança OIC ou escola; liderança e espiritualidade. Nas bases internacionais, utilizei quatro estratégias de buscas, com os termos em inglês de liderança, espiritualidade e OIC; liderança, espiritualidade e escola; liderança e OIC; liderança e espiritualidade. Na literatura, identifiquei poucos trabalhos que aproximam a liderança, a espiritualidade e as escolas. Eles trazem uma abordagem centrada no indivíduo, ou seja, no líder, apontando a espiritualidade baseada nos valores praticados pelo líder. A contribuição que encontrei nessa estratégia de busca foi a abordagem da liderança distribuída nas escolas, proposta por Gronn (2002) e Spillane (2005). Os trabalhos sobre a liderança em OIC também trouxeram abordagens centradas no líder, analisando seus desafios e suas características em uma OIC. Por fim, nos estudos sobre a liderança e espiritualidade localizei os estudos de Fry (2003) que abordam a proposta da liderança espiritual e estão entre os principais trabalhos que estabelecem a conexão entre os dois termos. Contudo, o seu modelo da liderança espiritual baseia-se em uma perspectiva de causa e consequência, cuja preocupação está em estabelecer as correlações entre os elementos do modelo. É uma proposta fortemente ligada à relação líder-seguidor e, portanto, não aponta caminhos sobre como estudar o processo de liderança no âmbito organizacional. Assim, em meu caminho tive que buscar uma abordagem processual da liderança e uma forma de analisar o ambiente espiritualizado de uma organização intensiva em conhecimento. De um lado, encontrei a liderança relacional que considera a liderança um processo construído socialmente. De outro, os estudos sobre a espiritualidade nas organizações que também embasam a proposta da liderança espiritual. Com essa base teórica, segui para o campo utilizando os métodos da etnografia. Realizei a pesquisa na Escola Waldorf Anabá, em Florianópolis, entre o período de julho a dezembro de 2014. Para o estudo, usei as técnicas de observação participante, análise documental e entrevistas etnográficas. No total, entrevistei 33 pessoas, entre professores, secretárias, bibliotecária, administrador e pais. Realizei a transcrição de todas as entrevistas e analisei os dados com base na análise temática proposta por Braun e Clarke (2006). Foi a partir dos dados do campo que estabeleci os códigos e, em seguida, agrupei-os em temas. A partir dos resultados, conclui que a proposta de processo de liderança elaborada no referencial teórico com base na liderança relacional não foi suficiente para compreender a realidade organizacional do Anabá. O processo de liderança nessa escola, além de emergir a partir das relações construídas no seu cotidiano, distribuí-se em toda a organização de duas formas. A primeira acontece nas relações de influência e poder distribuídas nas instâncias que compõem sua estrutura organizacional, conferindo fluidez a essa forma com que emerge a liderança. A segunda ocorre nas relações de influência social construídas entre as pessoas da escola. Assim, o processo envolve a abordagem da liderança distribuída e da liderança relacional. Ainda, faz parte do processo de liderança do Anabá um conjunto de três elementos que influenciam as formas como emerge a liderança que denominei de elementos influenciadores: a experiência, o conhecimento e o sentimento. É a partir desses elementos que as pessoas influenciam os outros e também são influenciadas nos processos de tomada de decisão e de liderança. Por fim, observei que o processo de liderança é influenciado pelo contexto espiritualizado do Anabá. Ele está fundamentado nos princípios da Antroposofia e é caracterizado pelos valores espirituais expressos pelas pessoas que buscam o seu autodesenvolvimento, encontram sentido no trabalho na escola e se sentem pertencentes a uma comunidade. Esse contexto espiritualizado influencia o processo de liderança com a construção de um ambiente aberto e livre, propiciando a emergência das lideranças e favorecendo o desenvolvimento da teia de relações de poder entre as instâncias.
Link para download: Fabiana Besen Santos

VICENTINI, Luiz Carlos. A Liderança Autêntica em Contexto Extremo: As Vivências do BOPE – Batalhão de Operações Policiais Especiais de Santa Catarina. Tese, 2015.

Estudiosos trabalharam fortemente, na primeira década deste século, focados para o desenvolvimento de um modelo genuíno de liderança que permitisse enfrentar os desafios éticos, tecnológicos, de competitividade e de marketing que rondam as organizações ao redor do mundo. Ao mesmo tempo, verificou-se na literatura a exigência para que se desse maior atenção ao contexto organizacional como fator que poderia afetar e ser afetado pela liderança. A presente pesquisa originou-se da constatação de que há lacunas nos estudos sobre liderança autêntica, principalmente quando associada ao contexto extremo, após realização de uma revisão integrativa sobre o tema. O objetivo foi compreender como se manifesta a liderança em eventos que se caracterizam como contexto extremo, comparando as atividades realizadas em contexto de normalidade e extremo. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, que teve como abordagem metodológica a etnografia. A dificuldade em observar o sujeito no exato momento em que ocorre a ação em contexto extremo levou à complementação do estudo etnográfico com outro, o fenomenológico, com os objetivos de explorar, descrever e analisar experiências vividas individualmente por policiais do BOPE – Batalhão de Operações de Polícia Especial – SC. A pesquisa incluiu a observação direta das interações entre os participantes durante sua rotina de trabalho e a realização de entrevistas a partir de um roteiro semiestruturado. Os dados obtidos foram analisados e interpretados através da análise categorial temática, com o auxílio do software ATLAS.ti. Os resultados mostraram que as características de liderança em situação de normalidade dentro do quartel se mantêm quando os militares são submetidos a condições de contexto extremo, porém há flexibilidade em delegar a liderança neste contexto, baseada nas habilidades e na formação para atingir os objetivos. As relações hierárquicas predominam no BOPE e a patente e a antiguidade é que determinam, a priori, as relações de autoridade e poder. Líder e Comandante exercem funções diferentes, que podem se confundir, a depender das características de liderança do Comando. A liderança se processa em um clima de cooperação, confiança e lealdade que se estabelece naturalmente na convivência e na intimidade, tendo como base a competência para enfrentar a situação dada. Os seguidores são consultados, seja em situação de normalidade ou contexto extremo e veem valorizadas suas opiniões, o que é característica da liderança autêntica. O líder tem características de um líder autêntico, pois acompanha seus seguidores nas missões, é parceiro, troca informações, tem flexibilidade para delegar, atua como um espelho, e, assim consegue
a aderência do grupo. Conclui-se que as relações de liderança no BOPE se caracterizam como liderança autêntica, que se concretiza de forma mais concreta e sólida em contexto extremo. Estes resultados contribuirão para o avanço científico da temática pesquisada, tendo em vista seu ineditismo e as considerações práticas na área de liderança, cujos desdobramentos serão fundamentais para o aprimoramento das relações de liderança autêntica no contexto militar e nas demais organizações.

 

Link para download: Luiz Carlos Vicentini