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BOVO, Alessandro Botelho. Um modelo de descoberta de conhecimento inerente à evolução temporal dos relacionamentos entre elementos textuais. Tese, 2011.

Há algum tempo tem sido observado e discutido o aumento expressivo na quantidade de informação produzida e publicada pelo mundo. Se por um lado essa situação propicia muitas oportunidades de uso dessa informação para a tomada de decisão, por outro, lança muitos desafios em como armazenar, recuperar e transformar essa informação em conhecimento. Umas das formas de descoberta de conhecimento que tem atraído atenção de pesquisadores é a análise dos relacionamentos presentes nas informações disponíveis. Não obstante, devido à grande velocidade de criação de novos conteúdos a dimensão tempo torna-se uma propriedade intrínseca e relevante presente nestas fontes de informação. Assim, o objetivo é desenvolver um modelo para descoberta de conhecimento a partir de informações não estruturadas analisando a evolução dos relacionamentos entre os elementos textuais ao longo do tempo. O modelo proposto é dividido por fases, assim como os modelos tradicionais de descoberta de conhecimento. As fases deste modelo são: configuração dos temas de análise, identificação das ocorrências dos conceitos, correlação e correlação temporal, associação e associação temporal, criação do repositório de temas de análise, e tarefas intensivas em conhecimento, com ênfase nos relacionamentos diretos e indiretos entre os conceitos do domínio. A demonstração de viabilidade é realizada por meio de um protótipo baseado no modelo proposto e sua aplicação em um estudo de caso. É realizada também uma análise comparativa do modelo proposto com outros modelos de descoberta de conhecimento em textos.

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SILVEIRA, Nelson Luiz Rocha. Estratégias na Gestão do Conhecimento para o Fomento de Parques Geradores Eólicos. Dissertação, 2010.

Este estudo se propõe dissertar sobre o problema enfrentado pelas empresas, na era do conhecimento, quando da fomentação do mesmo. O estudo considera políticas de sustentabilidade, ferramentas de desenvolvimento sustentado, códigos de sustentabilidade, Organização Internacional de Normatização (International Organization for Standardization) – ISO e complexidades, com o intuito de que as organizações implementem a gestão do conhecimento da sustentabilidade. Os resultados mais relevantes deste estudo são que: (1) esperase que a modelagem destas estratégias constitua um basal onde empresas de energia eólica possam realizar a gestão do conhecimento, (2) e, que estas estratégias possam elevar o desenvolvimento a partir da matriz de geração de energia eólica com sustentabilidade. A implicação estratégica derivada destes resultados também é muito importante: utilizar a sustentabilidade como um radar é estar sempre desenvolvendo estratégias para responder à ameaças e oportunidades. As ações sustentáveis emergem no contexto da Sociedade do Conhecimento, à medida que implicam em uma nova revolução que tenta resolver problemas cruciais do mundo moderno, ao observar e compreender as interações sistêmicas simples e complexas entre fatores ecológicos, econômicos, ambientais, entre outros, com pontos comuns de alertas globais, como poluição, saúde e fontes de energia. Esta revolução simboliza a emergência de um novo ethos enfatizando uma rede de relacionamentos que, interconectados, suplantem estes desafios, com a realização de pesquisas científicas e implantação de inovações tecnológicas.

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FORNASIER, Cleuza Bittencourt Ribas. Sistema de integração do conhecimento organizacional pelo design thinker. Tese, 2011.

Após a aplicação do Modelo Organizacional de Autogestão, desenvolvido para organizar administrativa e produtivamente grupos que desejassem promover a autogestão (FORNASIER, 2005), verificou-se a dificuldade para incorporá-la, ocasionada principalmente pela forma de constituição do grupo, pela falta de aprendizagem dos integrantes para formar uma organização e para assumir a autogestão o que resultou na fragmentação do grupo quando do afastamento da academia. Diante disto, o objetivo desta tese é desenvolver um Sistema de Integração do Conhecimento para ser utilizado por organizações colaborativas que desejam promover o perfil de agente de aprendizagem nos seus gestores. O sistema será realizado a partir da pesquisa do Conhecimento Organizacional preestabelecido, das organizações colaborativas referenciais da vitivinicultura, ao ser inserida a inovação, a qual o gestor deve prover a aprendizagem e a integração do conhecimento. Tem-se como premissa da pesquisa analisar quais são: os repositórios de conhecimento dessas organizações; como estes inserem a inovação na organização, da qual origina o Conhecimento Organizacional Distribuído; de que maneira ocorre a integração do conhecimento nos grupos. A pesquisa está fundamentada na metodologia de natureza descritiva e seu delineamento apoia-se em pesquisa bibliográfica, que estuda primeiramente a relação das Teorias de Aprendizagem com a Aprendizagem Organizacional e desta com a Gestão do Conhecimento, de McElroy (2003). Coloca-se, em paralelo a última, o pensamento do designer de Jones (1978), justificado pelo estudo do sistema de conhecimento pessoal do design thinker de Martin (2009). Utiliza-se a metodologia etnográfica pela abordagem mista de Milies e Huberman (1994), para a realização da pesquisa de campo, que tem na sua essência a fusão da etnografia e da teoria enraizada, reforçando o perfil analítico e sintético do designer, como instrumento para aplicação dos procedimentos gerais da pesquisa de campo. Tem-se como resultado da tese o desenvolvimento de um Sistema de Integração do Conhecimento, baseado na observação dos conhecimentos, habilidades e atitudes utilizados pelos gestores das organizações colaborativas referenciais, ao inserirem a inovação e integrá-la, relacionando-os com os conhecimentos, habilidades e atitudes dos gestores de design apresentadas por Brown (2009); Mozota (2003); Martin (2009) e Cross (2007).

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DEMARCHI, Ana Paula Perfetto. Gestão Estratégica de Design com a abordagem de design thinking: proposta de um Sistema de Produção do Conhecimento. Tese, 2011.

As organizações colaborativas, em busca de maiores condições de competitividade necessitam entrar nos canais de comercialização tradicionais agregando valor aos seus produtos. Um meio importante é a atuação do agente de design, que pode extrair os conhecimentos das organizações (implícitos, tácitos, objetivos e explícitos), codificá-los, gerando o conhecimento organizacional, e produzir o conhecimento objetivo após combiná-lo com o seu conhecimento tácito. Nesse contexto, esta tese tem como objetivo propor um sistema de produção do conhecimento sobreposto a um modelo de gestão estratégica de design, para o qual foi necessária uma fundamentação teórica sobre a gestão do conhecimento (que possibilitou uma visão do processo de produção do conhecimento e a importância dos tipos de conhecimentos para a criação do conhecimento objetivo); da gestão estratégica de design (caracterizando suas atividades, aplicações e mutações na demanda), e finalmente estabelecer a relação entre a nova gestão do conhecimento com a gestão estratégica de design, que, por sua vez, está fundamentada no design thinking, uma nova abordagem de pensamento que caracteriza o agente de design. Partiu do pressuposto de que as habilidades do agente de design, na utilização de um sistema de produção do conhecimento, facilitarão a construção de conhecimento objetivo, e auxiliarão a organização colaborativa familiar a construir uma vantagem competitiva, por meio da visualização da sua natureza conceitual e origem. Este pressuposto visou o esclarecimento da questão central da tese, que é: como a Gestão estratégica de design sobreposta a um sistema de produção do conhecimento pode incrementar a competitividade, sustentabilidade e diferenciação das organizações colaborativas? Como metodologia, sua natureza é descritiva e seu delineamento apóia-se nos seus objetivos, utilizando uma abordagem qualitativa, e a partir da observação etnográfica em organizações vitivinícolas. O modelo proposto, sobreposto por um sistema de produção do conhecimento, visa a otimização de recursos (sustentabilidade); um melhor posicionamento da organização no mercado (competitividade); e a oferta de diferenciais de valor aos clientes (diferenciação).

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PEPULIM, Maria Elizabeth Horn. TV digital aberta brasileira: o adolescente como usuário efetivo da interatividade via TV. Dissertação, 2011.

Este estudo trata da problemática de um provável usuário, mais especificamente, de um provável segmento de usuário, o adolescente, da TV digital aberta brasileira. Para realizá-lo foram agregadas informações disponibilizadas na literatura sobre este segmento, enquanto consumidor, principalmente de mídias de tela, e construído conhecimento através de uma pesquisa descritiva. Esta pesquisa foi efetuada em quatro escolas nas capitais do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, duas na capital gaúcha e duas na capital catarinense. Quanto ao tamanho e característica da amostra: o total foi de trezentos e quarenta e seis (346) respondentes, com idade entre 14 e 19 anos, de ambos sexos, divididos entre as duas capitais citadas. Uma vez que este não é um estudo com pretensões de generalização, não houve rigidez quanto ao desenho amostral. O propósito destas ações foi identificar o que levaria o adolescente brasileiro a ser um usuário da interatividade via TV e contribuir com a construção de uma base de conhecimento que permita conhecer mais este segmento de usuário para futuramente tentar fidelizá-lo no que diz respeito ao uso da TV digital aberta brasileira. Em vista disto, a pesquisa bibliográfica realizada procurou levar o leitor a, entender o que é a TV digital brasileira e a magnitude de um empreendimento deste porte com esta natureza no contexto de uma nação; a entender a importância de gerenciar este processo de mudança levando em conta, sobretudo, o seu usuário; a compreender a interatividade enquanto diferencial entre a TV analógica e a digital; conhecer o modelo de negócio envolvido; e, por fim, a pesquisa bibliográfica visou expor, primeiramente, o papel do adolescente neste contexto e a seguir sua relação com algumas tecnologias de informação e comunicação que habitam seu cotidiano. Já a pesquisa descritiva realizada procurou levantar conhecimento sobre a relação do adolescente com as mídias TV e computador e sobre o que poderia levá-lo a ser um usuário fiel da TV digital aberta brasileira. Embora este estudo tenha limitações relativas ao tamanho da amostra e a possibilidade de falibilidade da metodologia empregada e dos recursos humanos envolvidos, pode-se dizer que o conjunto de procedimentos que o envolveu contribuiu para alcançar o resultado esperado uma vez que elencou uma série de preferências, deste segmento de mercado, em relação a mídias de tela, que, se levadas em consideração pelos desenvolvedores de conteúdo, poderão contribuir muito com o êxito de uma ação de fidelização deste segmento em relação à TV digital. Com base nos resultados desta pesquisa é possível supor que a construção de estratégias de captação de público e fidelização deste, no que diz respeito à TV digital aberta brasileira, deve privilegiar primeiramente e, sobretudo, o lazer, através da possibilidade de comunicação interpessoal, disponibilização de filmes de qualidade, e ambientes de música, entre outras possibilidades desta natureza. Foram elencadas, também, neste estudo, algumas resistências deste público em relação a algumas possibilidades de aplicativos e conteúdos que no contexto de uma ação, visando a fidelização de um segmento de mercado em relação ao um produto ou serviço, devem ser consideradas. As principais tem a ver com aprendizado/estudo formal e com a participação formal em processos de construção de conteúdo. Não foram evidenciadas, nele, expectativas do público adolescente sobre o uso da interatividade via TV aberta.

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OROFINO, Maria Augusta Rodrigues. Técnicas de criação do conhecimento no desenvolvimento de modelos de negócio. Dissertação, 2011.

Transformações organizacionais têm se beneficiado da agilidade proveniente das novas tecnologias, proporcionando o desenvolvimento de novas formas de criação de valor e de transações comerciais entre empresas que vêem suas fronteiras serem expandidas e ampliadas. Neste contexto, o desenvolvimento de modelos de negócio representa a maneira de como uma organização cria, captura e distribui valor. A gestão organizacional, a partir da era do conhecimento, associada à disseminação das tecnologias da informação e de novos métodos de avaliação dos ativos intangíveis, exige a adoção de métodos e técnicas de gestão do conhecimento. Esta dissertação tem o propósito de apresentar a evolução do conceito de modelo de negócio, suas representações, características e o seu processo de desenvolvimento bem como destacar os principais métodos e técnicas de criação do conhecimento organizacional que podem ser utilizados no processo de desenvolvimento de modelos de negócio. Os procedimentos metodológicos utilizados foram a pesquisa bibliográfica para a revisão da literatura, a utilização de desk research para o aprimoramento e complementaridade das fontes pesquisadas e consulta dirigida a especialistas através de questionário semiestruturado. O diferencial que o estudo apresenta diz respeito ao levantamento bibliográfico realizado sobre modelos de negócio e métodos e técnicas de gestão e criação do conhecimento. As limitações desta pesquisa estão na sua realização tendo em vista às restrições de acesso ao grupo de especialistas selecionados. Conclui-se que o desenvolvimento de modelos de negócio é um tema emergente, e associado à criação do conhecimento organizacional, como uma nova unidade de análise organizacional requer estudos complementares.

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PAULINO, Rita de Cássia Romeiro. Uma abordagem para apoio à gestão de Comunidades Virtuais de Prática baseada na prospecção de participantes ativos. Tese, 2011.

As comunidades de prática (CoPs) são instrumentos de apoio aos processos da Gestão de Conhecimento nas organizações. Dessa forma, há participantes que constroem conhecimento dividindo suas experiências, o que torna as comunidades um ambiente atraente para compartilhamento, geração e distribuição de novos conhecimentos. No entanto, um dos maiores problemas referentes a esse instrumento relatados na literatura diz respeito a como manter essas comunidades vivas e ativas ao longo do seu ciclo de vida, assegurando a participação e a motivação por parte de seus membros. Este trabalho identificou requisitos e atributos comuns em participantes ativos de CoPs e mostra que tais requisitos podem servir como unidades de análise na identificação de possíveis perfis com características ativas de participação em uma comunidade. O trabalho aqui exposto propõe que se utilizem os atributos identificados em mecanismos de busca de sistemas de informação para reconhecer perfis ativos em potencial e que sejam adequados à temática de uma CoP. Esses mecanismos podem ser acionados ao longo do ciclo de vida da comunidade ou quando o moderador achar que deve promover uma maior participação entre os membros que a integram. A intervenção do moderador pode favorecer a inclusão de novos membros na comunidade, principalmente de perfis ativos, que é o objetivo maior buscado por uma CoP. Para se construírem esses mecanismos, empregam-se modelos de busca e sistemas de recuperação de informação que possuem em comum o fato de utilizarem “termos” (vetores) para identificar um perfil vinculado a um usuário que esteja em uma base de dados de uma organização.

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FRANZONI, Christine Bencciveni. Apropriação do conhecimento comunitário no processo de elaboração de Planos Diretores Participativos. Dissertação, 2011.

A urbanização e a industrialização são fatos mundiais, sendo que o desenvolvimento das forças produtivas ocasiona novas formas e configurações do espaço urbano. Por conseguinte, necessário se faz, um planejamento e a definição de políticas públicas, especialmente aquelas definidoras e/ou indutoras do processo de urbanização. Entretanto, foi somente com a Constituição Federal de 1988 – CF/88, que pela primeira vez as cidades foram alcançadas ao patamar constitucional, prevendo-se que as mesmas com mais de vinte mil habitantes tenham a obrigatoriedade de um Plano Diretor aprovado pelo executivo. A Lei nº 10.257, de 10 de julho de 2001, Estatuto da Cidade, é o instrumento que regulamenta os arts. 182 e 183 da CF/88 reforçando os princípios básicos instituídos pela Constituição, o qual preserva a municipalidade, o plano diretor como instrumento básico da política de desenvolvimento e de expansão urbana, bem como, a ênfase na gestão democrática. Nesse contexto, a relevância do tema proposto se dá na medida em que investiga como ocorreu a apropriação do conhecimento comunitário e sua validação no processo de elaboração do Plano Diretor Participativo do Município de Florianópolis. Tem-se como objetivo geral investigar como ocorreu a apropriação do conhecimento comunitário e sua validação no processo do Plano Diretor Participativo do Município de Florianópolis. Classificando metologicamente, a pesquisa é considerada aplicada, quali-quantitativa, exploratória, bibliográfica, documental e estudo de caso. Com a finalidade de atender aos objetivos propostos desta dissertação, o procedimento metodológico adotado contempla as seguintes etapas: Fundamentação teórica sobre a Política Urbana, abordando a Constituição Federal de 1988, o Estatuto da Cidade, e o Plano Diretor, onde se tem, também, Florianópolis e seus planos diretores regulamentados; Processos Participativos, do qual trata a participação comunitária e o Plano Diretor Participativo de Florianópolis; e a Apropriação do Conhecimento, com base no Conhecimento e Conhecimento comunitário. Salienta-se que para a validação do processo participativo, foram realizadas entrevistas com perguntas abertas e utilizado o método de análise de conteúdo. A presente dissertação contribuirá para a elaboração de Planos Diretores Participativos, que permitam a utilização do conhecimento e a validação da comunidade. Pode-se concluir que o processo de elaboração do Plano Diretor Participativo de Florianópolis teve dois momentos, o primeiro com a participação da comunidade, através de seus núcleos distritais que compunham o Núcleo Gestor, onde houve a efetiva apropriação do conhecimento comunitário até a ruptura do processo e consequente extinção do Núcleo Gestor pela Prefeitura; e o segundo momento foi a decisão da mesma em contratar uma empresa para formar o Anteprojeto de Lei, sem exigir desta que fosse levado em consideração a leitura comunitária. Contudo, a Prefeitura não conseguiu até os dias de hoje a validação e aprovação do Anteprojeto de Lei com a comunidade.

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BRITO, Carlos Estrela. Educação a Distância no Ensino Superior de Moçambique: UAM. Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Gestão do Conhecimento. Tese, 2010.

Este trabalho tem como objetivo geral propor um modelo de Universidade Aberta para a EaD no Ensino Superior em Moçambique. Pretende-se com isso contemplar as iniciativas em curso e as dificuldades de infraestrutura da realidade local, partindo do modelo utilizado pela UFSC. A aderência desta pesquisa ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Gestão do Conhecimento deve-se ao fato de que esta é uma das linhas de pesquisa da área de Mídias do Conhecimento, justificando-se, assim, no âmbito da interdisdiplinaridade, cujos campos disciplinares pressupõem um eixo integrador no objeto de conhecimento. Dentre os instrumentos e métodos para dar respaldo a este trabalho, privilegiou-se a revisão bibliográfica; o diagnóstico do atual estágio de desenvolvimento da EaD em Moçambique; a estruturação da metodologia para o uso da Universidade Aberta do Brasil na formulação do modelo a ser proposto para Moçambique; a estruturação da pesquisa qualitativa para coleta de dados junto às instituições brasileiras eleitas como paradigma de análise; e a pesquisa quantitativa para a coleta de dados junto aos estudantes, por meio da aplicação dos questionários. Como resultado da pesquisa, constatou-se que os argumentos em relação ao acesso e crescimento da modalidade de ensino EaD estão contextualizados e justificados, por colocarem o emprego dessa modalidade de ensino enquanto meio de atender à população que busca acesso ao ensino superior. Por isso, o desafio é manter as IES atualizadas e em condições de uso com pessoal qualificado. É neste sentido que a discussão sobre a modalidade EaD para o público de educadores em exercício, que não possuem curso superior, como é o caso em Moçambique, deve ser conduzida, ou seja, precisa ser analisada à luz da realidade educacional e não somente nas experiências internacionais e interesses de mercado. É preciso retomar as discussões à luz da realidade educacional da universidade, da região e do Estado onde a EaD está inserida, e, num contexto maior, na realidade educacional do País. Conclui-se, assim, que não há um modelo único de EaD, mas sim parâmetros que devem ser cumpridos para dar qualidade, visibilidade e credibilidade a essa modalidade de ensino em Moçambique. As IES devem estudar qual a melhor maneira de desenvolvê-la em sua instituição, visando ao levantamento dos recursos tecnológicos e de infraestrutura física de que dispõe, revisando a proposta didático-metodológica que embasa seu referencial teórico e preparando o quadro docente e discente para este novo paradigma educacional.

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PEREIRA, Kariston. O raciocínio abdutivo no jogo de xadrez: a contribuição do conhecimento, intuição e consciência da situação para o processo criativo. Tese, 2010.

O jogo de xadrez se apresenta como conceituado e tradicional sistema de mediação e expressão do conhecimento, porque sua materialidade e sua dinâmica configuram visualmente os procedimentos e, por via de consequência, os conhecimentos e os raciocínios dos jogadores. As ferramentas e a mecânica do jogo compõem um modelo exemplar de engenharia. Entretanto, esse modelo atua como mídia interativa entre dois competidores e, ao longo dos séculos, os processos de mediação foram sendo criados, consolidados e registrados, de maneira que há uma cultura ou conhecimento especializado, que se apresenta como um amplo conjunto de conceitos, teorias, estratégias e procedimentos. Aos enxadristas cabe a gestão do conhecimento já explicitado, na escolha e interação das estratégias competitivas já conhecidas e, também, cabe a invenção circunstancial de soluções estratégico-criativas, que emergem imediatamente da intuição do jogador. As inovações intuitivas emergentes de processos predominantemente tácitos são, posteriormente, consideradas de modo consciente e explicitadas como novas estratégias possíveis dentro do conhecimento disponível na cultura enxadrística. O trabalho aqui apresentado observa o jogo de xadrez para considerar o raciocínio abdutivo, como proposto na teoria da Abdução de Charles Sanders Peirce, visando reconciliar os conceitos de “conhecimento” e “criatividade”, no contexto mental tradicionalmente reconhecido como “intuição.” Atualizando-se as indicações e revendo as contradições entre as ideias de Descartes (1596-1650) e Peirce (1839-1914), são discutidas neste trabalho duas correntes de estudos, denominadas: “foundation view” e “tension view”, que se antagonizam propondo diferentes visões sobre a participação do conhecimento especializado como fator de promoção da criatividade. A contradição entre estas duas correntes, que se configuram sobre base experimental, suscita a tradicional questão do “dogmatismo” com relação ao conhecimento constituído. Depois dos estudos desenvolvidos e aqui apresentados, pode-se considerar a tese de que o conhecimento não impede a criatividade, servindo, inclusive, para promovê-la. Pois, como demonstrado por meio da análise de entrevistas, protocolos verbais e partidas comentadas de conceituados enxadristas, o conhecimento possibilita a maior eficiência do raciocínio abdutivo, desde que não seja tratado de maneira dogmática. Como resultado de pesquisa é apresentado um framework conceitual contextualizado, que serve de suporte ao entendimento sobre como o conhecimento favorece a eficiência do raciocínio abdutivo nos processos de criação. O jogo de xadrez é, portanto, apresentado como domínio decorrente de um campo interdisciplinar de pesquisa que considera, especialmente, a criatividade e o conhecimento, configurando um objeto de estudo privilegiado para a produção de conhecimentos sobre esses temas, que são necessários para diferentes áreas de estudo e aplicação científica.

Link para download: Kariston Pereira