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Panisson, César. DESENVOLVIMENTO REGIONAL INTELIGENTE A PARTIR DA GOVERNANÇA EM REDE NO CONTEXTO DE ECOSSISTEMAS DE EMPREENDEDORISMO INOVADOR.

Vive-se um momento de transformação intensiva em vários aspectos da vida humana à medida que evoluímos do paradigma industrial para a economia e para a sociedade do conhecimento, baseadas na intensidade e na complexidade crescentes dos ativos de conhecimento, essenciais para a sustentabilidade das organizações, e na acelerada incorporação desses ativos nos bens e nos serviços produzidos e comercializados. Uma característica distinta desse novo padrão é a geração de alto valor agregado por meio de aspectos intangíveis, possibilitando a criação de novos modelos de negócios, em que a inovação é a variável estratégica fundamental para a competitividade e a sobrevivência das organizações. Nesse contexto, rompe-se com diversos preceitos do modelo industrial de produção em massa, trazendo grandes desafios para gestão dos negócios, políticas governamentais de desenvolvimento e linhas de financiamento, mas também significativas oportunidades a empreendedores com visão para gerar novos negócios viáveis e sustentáveis. Assim, aumenta-se a competitividade por meio de um modelo de desenvolvimento que privilegia o uso do conhecimento e por intermédio de processos sociais que valorizam a endogeneidade, as potencialidades e os recursos locais. Conforme apontado na literatura, as abordagens de ecossistemas de negócios, de empreendedorismo, de inovação e de conhecimentos buscam identificar os atores e os agentes que promovem o desenvolvimento regional. Entretanto, ainda há uma lacuna nesses estudos, que deixaram de abordar aspectos relacionados à governança em níveis extraorganizacionais ou interinstitucionais. Com o propósito de preencher essa lacuna, o presente estudo tem como objetivo desenvolver um modelo de governança em rede entre atores e agentes de um ecossistema de empreendedorismo inovador, modelo esse que contribui para o desenvolvimento regional inteligente. Para atingir o objetivo proposto, realizou-se um estudo qualitativo de cunho bibliográfico, exploratório e descritivo. Quanto aos métodos, a pesquisa é aplicada, apoiando-se no paradigma interpretativo de uma vertente conexionista em que o conhecimento necessita de conexões e da comunicação entre os atores e os agentes. Quanto aos procedimentos técnicos, foi elaborada uma revisão da literatura a partir dos resultados da revisão sistemática integrativa da literatura e de um estudo de campo em que se deu a coleta de dados empíricos dos atores e dos agentes do ecossistema de empreendedorismo inovador de Florianópolis por meio de cinco grupos focais integrados por atores da quádrupla hélice (empresas, governo, universidade e sociedade) e por gestores dos hábitats de inovação. A aplicação do Mapa da Rede de Colaboração para Ecossistemas de Empreendedorismo Inovador permitiu realizar uma radiografia da rede social significativa dos atores e dos agentes, apresentando um diagnóstico da coesão da colaboração do ecossistema e a sua composição na quádrupla hélice. A flexibilidade da ferramenta permitiu ainda coletar uma infinidade de dados e de percepções dos atores e dos agentes, entre eles fatores idiossincráticos que possibilitam uma compreensão aprofundada da realidade social, considerando características únicas e endógenas de cada ecossistema. Assim, foi elaborada a rede social colaborativa do ecossistema de empreendedorismo inovador de Florianópolis, e, num exame aprofundado dos resultados das análises das redes, se obteve a postulação de princípios que permitiram o desenvolvimento do Modelo Sapiens, que insere a governança em rede no contexto do ecossistema de empreendedorismo inovador, como o processo ecossistêmico (pessoas, instituições, ambiente e resultados) em que agentes e atores atuam num estado de colaboração por meio de equipes em redes colaborativas, partilham informações, experiências e conhecimentos, se comunicam e confiam uns nos outros e cooperam de forma coordenada, comprometidos com a conquista de objetivos de bem comum em torno de um futuro almejado. Além disso, o Modelo Sapiens agrega novos elementos de valor aos agentes e aos atores da quádrupla hélice. A lapidação das relações evidencia a relevância das redes sociais significativas, garante a simetria de participação e de acesso ao conhecimento, promove a coesão da colaboração para o alcance dos objetivos almejados, tornando o ecossistema de empreendedorismo inovador mais robusto e resiliente à medida que a confiança nas relações e o compromisso com os resultados se fortalecem. Como resultado desse processo, busca-se alcançar o desenvolvimento regional inteligente numa abordagem em que o empreendedorismo e a inovação se voltam para o alcance de uma sociedade do conhecimento, e em que o ecossistema de empreendedorismo inovador se organiza em uma governança em rede, aumentando a conectividade dos atores e dos agentes de forma coordenada, criando sinergias em torno de objetivos partilhados de um futuro almejado. Nessa nova perspectiva, o desenvolvimento inteligente está centrado no ser humano e equilibra o avanço econômico com a resolução de problemas sociais por meio de soluções inovadoras que apontam oportunidades para novos modelos de negócios e organizacionais.

Primo. Lanevalda Pereira Correia de Araújo. Experientia Modelo de design educacional para planejamento para experiência de aprendizagem inclusiva no contexto digital.

A mobilidade e onipresença das tecnologias digitais de informação e comunicação têm proporcionado o acesso à educação em condições de igualdade a diversos públicos vulneráveis. Entre eles, pessoas com deficiência visual (PcDVs) podem utilizar os dispositivos móveis para conquistar empoderamento social, cultural e tecnológico. Contudo, ainda são necessários esforços para a formação docente em metodologias ativas e acessibilidade. Para contribuir nesse sentido, defende-se que o planejamento didático para experiências de aprendizagem inclusivas com uso de recursos de aprendizagem, utilizando a abordagem transmídia, pode potencializar esse processo. Desta forma, um contingente maior de estudantes com deficiência poderá usufruir equitativamente dos seus direitos com autonomia e independência. Este estudo apoia-se nos princípios da continuidade da experiência e da interação em uma situação de aprendizagem do filósofo e educador John Dewey. Tais princípios são parte da teoria da experiência que mobiliza as pessoas para a aprendizagem ao longo da vida. Nesta pesquisa tecnológica desenvolveu-se o método Design Science Research. Na pesquisa centrada no problema, no estudo do ambiente identificou-se quatro classes de problemas: ação docente, material didático, tecnologias e infraestrutura. Para definir o foco ação docente, investigou-se a experiência do estudante com deficiência visual por meio de entrevista, numa abordagem qualitativa, que apontou a necessidade de professores melhorarem as estratégias pedagógicas e de ampliarem o uso de tecnologias digitais. A partir daí, levantou-se junto aos professores, como planejam, as tecnologias que utilizam e os desafios no atendimento a estudantes com deficiência. Na pesquisa centrada na solução, por meio de revisão integrativa, identificaram-se elementos das experiências de aprendizagem relacionadas à transmídia, entre eles, aspectos pedagógicos, de planejamento e recursos. Na pesquisa centrada no design e desenvolvimento, concebeu-se para o uso dos professores, uma proposta de design educacional visando o planejamento para experiência de aprendizagem inclusiva no contexto digital. Nesse processo, desenvolveram-se dois artefatos: o modelo conceitual da proposta de design educacional que apoiará o planejamento, intitulado Experientia, e o projeto de um aplicativo gamificado que cumprirá dois papeis. O primeiro é o de materializar o planejamento para que o professor possa aplicá-lo em suas atividades; o segundo, oportunizar ao docente conhecimento tanto para selecionar ou elaborar recursos de aprendizagem acessíveis, quanto para desenvolver a abordagem transmídia. Dessa maneira, poderá aprender na prática como planejar de forma inclusiva, aplicando recursos de mídia para experiências de aprendizagem que favoreçam a autonomia e equidade dos estudantes com deficiência visual. A pesquisa centrada no contexto visou verificar tanto a utilidade, relevância e aplicabilidade quanto aspectos educacionais e de design. Assim, especialistas em Educação, representantes das instituições, avaliaram o modelo de design educacional Experientia, enquanto professores avaliaram um dos componentes do aplicativo. Afora os resultados positivos e pontos a observar dessas avaliações, o estudo contribui para o avanço do conhecimento do programa de Engenharia e Gestão do Conhecimento, na linha de pesquisa Mídia do Conhecimento na Educação. Numa visão transdisciplinar, a investigação reuniu percepções de estudantes com deficiência visual, professores e especialistas em educação, buscou dialogar com as complexidades desses atores e agregou aporte científico das revisões sistemáticas para o desenvolvimento dos artefatos. Além das contribuições explicitadas em conhecimento, identificou novos desafios para estudos futuros na Educação e no Design para experiência. Sabe-se que há novas jornadas a serem exploradas para que a inclusão seja reconhecida como natural e transparente na sociedade. Espera-se que esta tese seja um dos passos nesse sentido. Palavras-chave: Design educacional, Design para Experiência, Deficiência visual, Transmídia, Design Science Research.

BERNARD, ANDRÉ PERESSONI. FRAMEWORK DE INDICADORES PARA GESTÃO DA INOVAÇÃO EM EMPRESAS DE BASE TECNOLÓGICA.

A importância da inovação para a sobrevivência e a sustentabilidade das empresas já pode ser vista como um consenso. Dada a importância da inovação para as empresas, a discussão que cresce é como fazer gerir a inovação, e, especialmente, mensurá-la. Nesse contexto, esta pesquisa aplica o método DSR (design science research) com o objetivo de propor um framework de indicadores para gerenciar a inovação em empresas de base tecnológica. Para tanto, 871 indicadores foram compilados da literatura, sintetizados, e analisados por seis especialistas acadêmicos e 40 profissionais de empresas de base tecnológica de Santa Catarina. Na sequência, foram selecionados para o framework, especificados por meio da ferramenta 5W2H e, por fim, verificados por quatro especialistas corporativos. O framework segue cinco premissas baseadas em recomendações da literatura: (1) é multidimensional, abrangendo fatores determinantes, o processo de inovação e os resultados da inovação; (2) contém indicadores quantitativos e qualitativos; (3) contém indicadores financeiros e não financeiros; (4) contém indicadores de curto e longo prazo; e (5) é de fácil implementação e utilização. O framework foi estruturado em sete categorias (Cultura Inovadora, Estratégia de Inovação, Estrutura Organizacional, Gestão do Conhecimento, Recursos para Inovação, Processo de Inovação e Desempenho Inovativo), 30 indicadores e 203 boas práticas. Cada um dos indicadores tem sua descrição (o quê?), método de mensuração (como?), período para mensuração (quando?), atores envolvidos (quem?), frequência de mensuração (quanto?) e ferramentas recomendadas (onde?). Ainda, o “por quê?” do 5W2H foi apresentado por meio de boas práticas para gestão da inovação, extraídas da literatura e recomendadas por especialistas corporativos. O framework foi estruturado de modo que as especificações dos indicadores fossem padronizadas e alinhadas com atividades, ferramentas e cargos comuns às empresas, e a linguagem e a terminologia utilizadas fossem naturais ao público-alvo. Ainda, um aplicativo foi desenvolvido para apresentar o conteúdo do framework aos profissionais das empresas de forma concisa e clara. Em suma, o framework serve como base para as empresas iniciarem o seu processo de mensuração da inovação, por meio da utilização de indicadores mapeados na literatura e avaliados por especialistas acadêmicos e corporativos. A aplicação do framework deve ter um responsável e pode precisar ser adaptada ao contexto específico da empresa, de acordo com sua realidade e necessidades. Para o meio acadêmico, a pesquisa contribui com uma revisão sistêmica da literatura sobre gestão da inovação em empresas, com o fomento da DSR e com o processo de garimpagem, especificação e apresentação dos indicadores para gestão da inovação. Ainda, são abertas diversas lacunas para o desenvolvimento de trabalhos futuros. Alguns exemplos são a ponderação e o benchmark dos indicadores; a adaptação às normas ISO 56000; o desenvolvimento de métodos, técnicas e ferramentas para aplicação do framework; a realização de estudos de caso longitudinais para validação do framework; a diversificação e o aumento da amostra de especialistas acadêmicos e corporativos envolvidos na seleção dos indicadores; o aprofundamento do estudo da relação entre as boas práticas, as categorias e os indicadores; e o desenvolvimento de um sistema de indicadores para gestão da inovação.

Palavras-chave: Inovação. Gestão da Inovação. Framework. Indicadores. Empresas de Base Tecnológica.

SILVÉRIO, Natália. Práticas de GC no compartilhamento de conhecimento: evidências de um projeto multidisciplinar da área socioambiental

A gestão do conhecimento (GC) vem como uma abordagem que auxilia os projetos a perceberem o valor dos seus ativos de conhecimento, o que contribui na redução de falhas, melhoria nas competências, e economia de recursos. Apesar disso, observa-se que a GC e especialmente o compartilhamento de conhecimento, são temas insuficientemente explorados na gestão de projetos, e uma vez que esse processo da GC pode ser limitado devido à natureza temporária dos projetos, pesquisas que unem esses dois campos de investigação se fazem necessárias. Com base nisso, esta dissertação teve como objetivo analisar a potencialidade de práticas de GC para promover o compartilhamento de conhecimento em projeto multidisciplinar da área socioambiental. Para isso, utilizou-se uma abordagem qualitativa e a pesquisa-ação como estratégia de investigação. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas, observações e notas de campo, e a análise dos dados por meio de análise temática. A pesquisa foi conduzida em um projeto multidisciplinar da UFSC, cujo problema era a falta de interação entre as equipes. Isso limitava o compartilhamento de conhecimento, o que poderia impedir o desenvolvimento de conclusões robustas sobre o ambiente natural e sociocultural que estava sendo diagnosticado. Os resultados da pesquisa indicaram a presença dos seguintes facilitadores ao compartilhamento de conhecimento: a percepção de benefícios e de dependência, abertura ao diálogo, a empatia, e o senso de cooperação. Ademais, a estrutura organizacional pouco hierárquica também favoreceu o compartilhamento de conhecimento. Esses fatores contribuíram para minimizar a ausência de laços sociais prévios ao projeto, considerada uma barreira ao compartilhamento de conhecimento pela literatura. Apesar da presença dos facilitadores, percebeu-se que eles por si só não promoviam o compartilhamento de conhecimento, sendo necessário o planejamento e a implementação de duas práticas de GC que levassem em consideração as restrições de isolamento impostas pela pandemia de COVID-19. Com isso, adotou-se uma prática por meio de grupo do WhatsApp e outra por meio de uma planilha online no Google Drive. Na fase de implementação das práticas, observou-se que a interação entre as equipes do projeto aumentou, o que levou ao aumento do compartilhamento de conhecimento, motivado principalmente pela prática de GC por meio do WhatsApp. Tal prática foi realizada de acordo com um cronograma, e os participantes foram motivados e engajados para isso, o que contribuiu para o seu sucesso. A prática por meio da planilha online não obteve sucesso, logo, não promoveu o compartilhamento de conhecimento. Com base no exposto, as evidências apresentadas neste trabalho contribuíram com o avanço dos estudos sobre a GC no contexto de projetos, uma vez que há uma lacuna de pesquisas que conectam esses dois campos de investigação. Os resultados demonstram aos gestores de projetos socioambientais a necessidade de promover o compartilhamento de conhecimento, bem como da escolha de práticas de GC mais adequadas para cada contexto organizacional.

Palavras-chave: Compartilhamento de conhecimento. Práticas de Gestão do Conhecimento. Projeto multidisciplinar. Área Socioambiental.

KASTER, Gerson Bovi. Framework Conceitual Baseado em Aprendizagem de Máquina Supervisionada para Concepção de Sistemas de Agentes Inteligentes para Área Judicial. Dissertação, 2021.

Atualmente existem várias pesquisas na literatura sobre a aplicação de inteligência artificial em sistemas de informação, sejam por meio de agentes inteligentes, técnicas de aprendizagem de máquina (machine learning) supervisionada ou não supervisionada, redes neurais, utilizando técnicas da engenharia do conhecimento dentre outras, contudo, em poucos trabalhos existem informações práticas de como aplicar tais tecnologias nos sistemas de informação já em funcionamento ou mesmo em novos sistemas que estão sendo desenvolvidos. Este trabalho trata do problema de pesquisa relacionado à como adquirir, codificar, armazenar e utilizar os conhecimentos explícitos dos usuários de sistemas de informação da área jurídica, com objetivo de ensinar tais sistemas a executarem tarefas automaticamente. Uma hipótese considerada para a solução do problema relatado é a criação de mecanismos que permitam aplicar técnicas de IA nas interfaces de entrada e saída dos sistemas jurídicos, tal como dados armazenados em bancos de dados, interfaces gráficas e serviços (webservices). A partir da hipótese citada, esse trabalho faz a proposição de um framework conceitual baseado em aprendizagem de máquina supervisionada para concepção de um sistema de agentes inteligentes. Com objetivo de verificar o framework conceitual proposto, foi projetado e desenvolvido um protótipo de sistema de agentes inteligentes para a área judicial. A metodologia de pesquisa utilizada neste trabalho é design science research (DSR) que tem como objetivo principal propor e construir soluções para problemas práticos nas organizações; no caso em questão, o framework e protótipo foram projetados para contribuir com a solução da problemática relativa à demora do judiciário na tramitação e julgamento de processos judiciais.

Palavras-chave: sistemas judiciais; agentes inteligentes; aprendizagem de máquina; engenharia do conhecimento.

Link para download: Gerson Bovi Kaster.

COSTA, Rejane. Modelo de Competências Docentes em Universidades Inovadoras Brasileiras Públicas. Tese, 2021.

A crescente discussão sobre as competências permeia por várias vertentes de pesquisas. As competências profissionais, a gestão por competências, a relevância das competências individuais para o sucesso, colaboração e cooperação organizacional, bem como o mapeamento e a modelagem das competências são temas latentes nos vários tipos de organizações. No contexto universitário, as competências docentes vêm ganhando destaque, principalmente nas circunstâncias de uma pandemia. Os docentes precisaram se reinventar para dar conta das demandas de suas aulas remotas, apontando para reflexões sobre o papel do docente, as mudanças nas práticas de sala de aula, que estão, por vezes, enraizadas no modelo do ensino tradicional. Frente a esse cenário, o objetivo desta tese é propor um modelo para diagnosticar as referentes competências docentes para atuar em universidades inovadoras brasileiras públicas (UIBPs). As universidades selecionadas pertencem ao Ranking Universitário Folha (2019) no quesito inovação. Quanto à abordagem trata-se de uma pesquisa qualitativa. O procedimento adotado seguiu os critérios da pesquisa de campo e bibliográfica, delimitados pela área da ciência teórica e prática. Em relação aos procedimentos é uma pesquisa de natureza exploratória, descritiva e propositiva. Trabalhou-se com uma busca bibliográfica por meio da revisão integrativa. Usou-se a técnica painel Delphi para categorizar e classificar as competências apontadas pela literatura. Após essa categorização, houve o ranqueamento, com a identificação de quais competências eram mais importantes em cada categoria apontada pelo painel Delphi. Ambas as metodologias foram aplicadas com especialistas envolvidos, de forma direta ou indireta, com docentes e com inovação, sendo especialistas distintos em cada etapa. O modelo é composto por 60 proposições elaboradas dentro do cotidiano acadêmico, que foram criadas a partir das competências ranqueadas pelos especialistas. O modelo depois de submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos (CEPSH), está pronto para ser aplicado aos docentes das UIBPs. Com a devolutiva de 227 questionários, realizaram-se as análises qualitativa e quantitativa. Como resultado, o modelo diagnosticou que as competências docentes apontadas como fracas são: comunicação não verbal (18,5%); trabalho em rede (17,6%); protagonismo digital (17,2%); criatividade (12,3%); facilitador (11,9%); suporte social (11,9%) e uso de tecnologias digitais (11%). Com o percentual das proposições apontadas como frágeis pelos docentes, tem-se o ponto de partida para que o gestor acadêmico possa direcionar suas capacitações docentes. O modelo tem a vantagem de poder ser aplicado tanto no âmbito individual quanto no coletivo. O diagnóstico das competências docentes para atuar em UIBPs facilita o atingimento das metas e das estratégias institucionais, bem como aproxima e promove o investimento nos talentos docentes da organização. As instituições que estiverem atentas à valorização do seu capital humano docente, consequentemente, alcançarão resultados diferenciados. Entende-se que os resultados desta pesquisa trazem, portanto, contribuições relevantes para o cenário do ensino superior, principalmente para os gestores acadêmicos, no âmbito nacional. Com isso, contribui para o avanço da ciência na área da gestão do conhecimento, expandindo o horizonte de novas demandas teóricas e práticas no que tange às competências docentes, fazendo frente às novas necessidades do capital humano docente na universidade inovadora.

Palavras-chave: Sociedade do conhecimento. Capital humano. Competências docentes. Modelo. Universidades inovadoras brasileiras públicas.

Link para download: Rejane Costa.

PARANHOS, William Roslindo. Modelo Conceitual para o Desenvolvimento de Organizações Saudáveis. Dissertação, 2021.

O conceito de saúde é considerado complexo e abrangente, o que o torna um constructo presente em vários campos do saber, seja em relação aos aspectos biológicos, no que concerne o tratamento ou prevenção a doenças, ou na promoção do bem-estar das pessoas, adotando-se a mais nova compreensão da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT). A contemporaneidade, impulsionada pela Transformação Digital e assolapada pela pandemia do novo Coronavírus, trazem consigo uma urgência em repensar padrões, relações e gestões, do nível pessoal ao organizacional em busca desse bem-estar. Organizações têm repensado seu modelo de gestão, a fim de considerar seus capitais humano e social em uma perspectiva cada vez mais integradora, o que exige um olhar sistêmico e holístico, ao mesmo tempo, atentando para pessoas e seus relacionamentos, percebendo suas singularidades e diferenças, buscando implantar uma gestão baseada na equidade. Nessa perspectiva, surge o conceito de Organizações Saudáveis, abrigado na Psicologia Positiva e na Psicologia do Trabalho, que possui seu cerne no desenvolvimento de processos que primem pelo bem-estar nas organizações em seus mais variados níveis, iniciando pelas pessoas que as compõem. O desenvolvimento de uma Organização Saudável tem por finalidade criar um ciclo de bem-estar, acreditando que um determinado grupo da organização afeta o outro, que afetará outro e assim sucessivamente, até afetar, novamente, aquele primeiro. Com o objetivo de propor um modelo conceitual para o desenvolvimento de organizações saudáveis, com base no capital humano e capital social, foi realizada uma pesquisa qualitativa, por meio do Método Design Science Research, adaptado de Dresch, Lacerda e Antunes Júnior (2015). De acordo com o método validado pelos autores, a criação de artefatos – aqui nomeado modelo conceitual – surgem no momento em que se identificam que as explanações encontradas na literatura, acerca de determinado tema, ainda não são conclusivas, possibilitando que, a partir daí, o pesquisador crie um modelo, levantando hipóteses e variáveis, passíveis de serem verificadas. Assim, após todo o processo de revisão de literatura e arquitetura de um robusto arcabouço teórico, a primeira versão do modelo, batizado de MoDOS, tornou-se possível. Posteriormente, considerando a necessidade de verificação, o modelo foi analisado por especialistas renomados, com notório saber acerca da temática, que realizaram suas contribuições. Como resultado, o MoDOS pôde ser aperfeiçoado, a fim de que cumpra com os objetivos propostos, resultando em sua terceira e última versão. Por fim o modelo ainda passou por um processo de sintetização, culminando na geração de um framework que torne possível sua aplicação em contextos organizacionais reais. Ficou evidente que se torna cada vez mais necessário o repensar da gestão organizacional, com a intenção de que, mesmo na era da inteligência artificial, processos, relações e, sobretudo, pessoas, sejam (re)humanizadas, permitindo que estas estejam em pleno uso de suas competências e capacidades, culminando em organizações mais saudáveis. Esta pesquisa contribui para o avanço dos estudos na área, pois apresenta um modelo que engloba todos os vieses existentes no desenvolvimento de uma organização saudável, após uma extensa e minuciosa análise da literatura, colaborando com a disseminação do conhecimento nos níveis acadêmico e organizacional.

Palavras-chave: Organizações saudáveis. Capital Humano. Capital Social.

Link para Download: William Roslindo Paranhos.

GOMES, Murilo Silveira. Um Modelo de Avaliação de Conformidade de Portais de Dados Abertos de Governo. Tese, 2021.

Dados tem grande relevância para a sociedade, pois através destes é possível detectar falhas, fraudes, índice de crescimento populacional, entre outros. Assim, percebe-se que a publicação dos dados tem se tornado fundamental para os cidadãos. Os dados disponibilizados em portais de organizações públicas e privadas contemplam diferentes categorias, estas despertam interesses de diversos setores, para vários objetivos de uso, tais como: novas pesquisas, realização de análises, visualização ou mesmo a
criação de novos negócios. Deste modo, após anos do início do movimento de dados abertos, a publicação dos dados está aquém das expectativas, visto que, geralmente os portais de dados abertos funcionam como repositórios para viabilizar apenas a transparência.
Observam-se diversos problemas de conformidade, tais como: metadados
inconsistentes, baixa qualidade dos conjuntos de dados, falta de padronização, ausência de gerenciamento e manutenção. O presente trabalho tem por objetivo compor um modelo para avaliação de portais de dados abertos considerando as boas práticas e os aspectos existentes na literatura para a verificação da conformidade utilizando a
Design Science Research Methodology (DSRM). Deste modo, o modelo desenvolvido permite avaliar elementos relacionados aos conjuntos de dados e seus recursos, bem como da estrutura do portal. Também foi definido o processo de avaliação que auxilia na aplicação do modelo, destacando-se que é possível fazer uso de diferentes parâmetros
conforme o cenário a ser avaliado. Para auxiliar na coleta, aplicação do modelo e análise dos resultados foi desenvolvido um sistema computacional. Foram obtidas as informações para realização da prova de conceito considerando três portais: governo federal, do estado do Rio Grande do Sul e do município de São Paulo. Através dos
resultados obtidos percebeu-se que o modelo permite a avaliação da conformidade de portais de dados abertos. Também foi possível o monitoramento, através das coletas realizadas em diferentes períodos de um portal, onde evidenciou-se a variação de algumas dimensões. Para complementar a avaliação do modelo e do sistema computacional
foram consultados especialistas da área de dados abertos e evidenciou-se
que o modelo de referência e o sistema desenvolvido possuem relevância para a área.
Apresentada a estrutura do modelo, os resultados obtidos através dos cenários de uso e finalizada a consulta aos especialistas concluiu-se que a pesquisa desenvolvida contribuiu fornecendo uma percepção das limitações dos portais de dados abertos perante as recomendações existentes.

Palavras-chave: Portal de Dados Abertos. Avaliação. Automatização. Conformidade

Link para download: Murilo Silveira Gomes.

CAUMO, Rafael Bassegio. Indicadores Socioeconômicos Produzidos a partir de Big Data: Um Framework para Avaliação da Qualidade Estatística Aplicado ao Turismo. Tese, 2021.

Representações de conhecimento explícito sob a forma de indicadores socioeconômicos são tradicionalmente construídas por produtores de estatísticas públicas do setor público, pela academia e por instituições do terceiro setor, usualmente se utilizando de censos, pesquisas amostrais e registros administrativos. Apesar de reconhecidos pelo rigor científico, tais processos de produção de informação são por vezes caros, demorados e de operacionalização complexa, uma vez que consideram predominantemente levantamentos em campo conduzidos por pessoas. Com o advento da Revolução dos Dados e do Big Data, a utilização de fontes alternativas de dados traz oportunidades de contorno a algumas das problemáticas dos processos tradicionais de produção de indicadores socioeconômicos. Entretanto, novos desafios se apresentam e no centro das dificuldades estão questões relativas à aferição e à garantia da qualidade estatística das informações produzidas. Com o entendimento de que a estrutura dos arcabouços para avaliação da qualidade estatística depende do contexto de sua aplicação, optou-se pelo foco nos indicadores de turismo. A escolha referente à delimitação setorial se deu pela percepção de que o turismo possui muita relevância na atividade econômica de Florianópolis e está na linha de frente do aproveitamento dos benefícios trazidos pelo Big Data. Nesse contexto, a presente tese tem por objetivo propor um framework para a avaliação da qualidade de indicadores de turismo produzidos a partir de Big Data. No âmbito da Design Science enquanto paradigma filosófico, utilizou-se do método Design Science Research para condução da pesquisa, com auxílio de técnicas do tipo pesquisa documental e bibliográfica – de forma sistemática e integrativa – durante a fase do desenvolvimento do artefato e de questionários aplicados a especialistas no tema – de acordo com a técnica Delphi – para fins de verificação de estrutura. Em paralelo, testou-se a aplicabilidade do framework em um contexto prático, utilizando-se de um indicador que se propõe a refletir a satisfação do turista de Florianópolis e de Balneário Camboriú, construído a partir de dados extraídos da plataforma TripAdvisor. Ao final, o framework resultante se diferencia dos já existentes por ser mais abrangente em termos de aspectos de qualidade que considera e ser o único até então percebido em nível nacional e também para o contexto dos indicadores de turismo. Sua estrutura considera três domínios, cinco dimensões e vinte e sete requisitos de qualidade, tendo cunho primordialmente conceitual, porém acompanhado de uma primeira proposta de protocolo para operacionalização prática, capaz de emitir pareceres de qualidade gerais ou parciais, a servir de referência para trabalhos futuros. Acredita-se que os resultados permitiram avançar frente às lacunas de pesquisa e se espera que contribuam para elucidar e disseminar ainda mais as possibilidades de inovação e complementariedade aos processos tradicionais de produção de estatísticas, assim como para orientar a aferição da qualidade dos produtos inovadores.

Palavras-chave: Indicadores socioeconômicos. Estatísticas públicas. Big Data. Qualidade estatística. Turismo.

Link para download: Rafael Bassegio Caumo.

BELLATO, Rita Lucia. Percepções Sobre as Competências Digitais para os Profissionais da Área de Contabilidade: Um Estudo de Caso. Dissertação, 2021.

O processo da transformação digital trouxe grandes mudanças para todas as áreas de conhecimento da sociedade, sendo acelerado pela COVID-19. Com isso, o processo de ensino e aprendizagem também vem passando por compulsórias modificações e adaptações. O objetivo desta Dissertação é propor diretrizes sobre as principais competências digitais que os futuros profissionais do Curso de Ciências Contábeis devem adquirir para suas inserções no mercado de trabalho contemporâneo. Sob uma abordagem quali-quantitativa, foram utilizados os seguintes procedimentos metodológicos: análise documental do planejamento e diretrizes do curso; revisão integrativa de literatura dos artigos científicos indexados nas bases de dados Web of Science, Scopus e Scielo referente às competências digitais; questionário para identificar a percepção dos estudantes, dos titulados e reflexões em termos de competências digitais necessárias para os futuros profissionais de Ciências Contábeis; entrevista semiestruturada com o Coordenador do Curso de CCN/UFSC para descrever a sua percepção em termos de competências digitais em relação ao Curso. O contexto deste trabalho limita-se ao Curso de Ciências Contábeis da UFSC, na área de Contabilidade. Com base nas tecnologias, propõe-se que as competências digitais podem ser contempladas de forma ativa e enfática durante a formação dos estudantes, desde o ensino fundamental até o superior. Tanto o Coordenador de Curso como os estudantes e titulados acreditam que, no futuro, a educação será híbrida. Certamente, ajustes e modificações podem ser realizados a fim de adequar os cursos no entrosamento da teoria e prática e no quesito competências digitais, e melhor preparar os estudantes e futuros profissionais de Ciências Contábeis, habilitando-os ao exercício da profissão contábil para as organizações civis, industriais e públicas.

Palavras-chave: Transformação digital. Educação digital. Competências digitais. Aprendizagem por competência. Competências do profissional de contabilidade.

Link para download: Rita Lucia Bellato.