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Dos Santos. Vanessa. Coprodução do Conhecimento na Formulação de Políticas Públicas.

Esta pesquisa sobre a coprodução do conhecimento na formulação de políticas públicas baseia-se no conceito de coprodução e estudos em ciências políticas, recorrendo à literatura dessas temáticas como fundamentação teórica. Utiliza-se, para tanto, como cenário, o modelo de administração pública elaborado por Denhardt e Denhardt (2007), chamado de o Novo Serviço Público. O estudo visa investigar as conexões entre os fundamentos do Novo Serviço Público, defendidos por Denhardt e Denhardt (2007) e Denhardt e Catlaw (2017), o conceito da coprodução e coprodução do conhecimento e a formulação de políticas públicas, nos mais variados contextos sociais. A partir da pergunta de pesquisa, “Quais os elementos fundamentais para a promoção da coprodução do conhecimento na formulação das políticas públicas?”, teve-se como objetivo propor um modelo conceitual com os elementos facilitadores da coprodução do conhecimento na formulação de políticas públicas. O modelo proposto, sobretudo, tem por fim identificar a utilização de conhecimento nas atividades que antecedem a implementação da política pública pelo Estado, e possibilita identificar se há alguma lacuna de conhecimento que possa ser respondida pela coprodução de conhecimento. Os elementos identificados como essenciais foram divididos em quatro dimensões, as quais, ainda contemplam, cada uma delas três componentes, sendo definidos da seguinte forma: (i) governança democrática baseada no conhecimento: poder e equidade; confiança e legitimidade e accountability, transparência e responsividade; (ii) contexto da política – formação da política pública: definição da agenda (identificação e definição do problema); identificação das alternativas (soluções potenciais) e desenho da política pública; (iii) produção do conhecimento: conhecimento individual, equipe, organizacional e social; produtividade do conhecimento e qualidade; valor para os cidadãos e crescimento; e (iv) gestão do conhecimento: apoio institucional – liderança e cultura organizacional; memória organizacional e compartilhamento do conhecimento. Sustenta-se, com fundamento no referencial teórico utilizado, a necessidade de um trabalho contínuo de aproximação entre Estado e sociedade no desenvolvimento das ações de governo. Nessa direção, um governo transparente e accountable, permite uma maior participação social, contribuindo, desta forma, para a formulação de políticas públicas com maior probabilidade de sucesso. O instrumento proposto nessa tese alinha-se com este fundamento, permitindo avaliar em que medida a Administração Pública promove ou estimula a participação social na formulação de políticas públicas por meio da coprodução de conhecimento.

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Bragagnolo, Stefania. CONHECIMENTO REGIONAL E UNIVERSALIDADE NO POSICIONAMENTO DE MARCAS GRÁFICAS DA SERRA CATARINENSE. Dissertação, 2021.

É descrito e simbolicamente referenciado neste estudo, a visualidade de marcas gráficas regionais, sejam de instituições ou empresas, as quais estão inseridas e atuam em localidades da Serra Catarinense. De modo particular, foram observadas as marcas da região serrana que está sob influência da cidade de Lages. Basicamente, as investigações e coletas ocorreram por
meio de desenhos das marcas gráficas que configuram símbolos regionais ou universais. Classificou-se que “marcas regionais” são elementos e aspectos simbólico-identitários significativos de uma região que, geopoliticamente, pode ser indicada como: localidade, cidade, estado ou país. Por sua vez, as representações das “marcas universais” não estão
diretamente associadas com elementos ou aspectos de um lócus específico. O objetivo principal deste estudo é identificar a relação simbólica entre os aspectos e elementos figurativos ou de outros atributos visuais de marcas gráficas de organizações regionais, empresas ou instituições, tendo como definições basilares as características de representações regionais ou universais. Portanto, a pesquisa realizada engloba a abordagem qualitativa e exploratória-descritiva que, tradicionalmente, visa elaborar a apresentação de ideias que norteiem estudos mais sistemáticos e abrangentes. Os resultados alcançados assinalam respostas para o conhecimento das marcas avaliadas, como representações simbólicas
regionais ou universais, incluindo casos de redesenho e relações estabelecidas entre a visualidade gráfica e aspectos do contexto cultural, sócio-histórico e econômico-financeiro da localidade. Os aspectos histórico-culturais e econômicos pertinentes ao estudo das marcas gráficas regionais são relacionados à percepção de uma crise continuada de identidade
regional, ao encerramento do ciclo econômico madeireiro e à redefinição dos posicionamentos das marcas, que é expressa nas produções gráficas. Observou-se dinâmicas de reposicionamento interessante tanto de instituições como de negócios em sentidos opostos. Isso porque, existem marcas gráficas cujo desenho chegou a ser alterado com a inserção de
elementos e aspectos simbólico-regionais. Contudo, no desenho das marcas gráficas de outras organizações foram excluídos os símbolos regionais, indicando visualmente seus posicionamentos como representações universais.

Palavras-chave: Organização do Conhecimento. Identidade Regional. Posicionamento de Marca.

Download: Stefania Bragagnolo

ALVAREZ MARCONDES DOS SANTOS, CAIO. Utilização de mídias digitais para comunicação de normativas por organizações públicas: uma proposta para o Cadastro Técnico Federal – CTF/APP.

As normas legais visam organizar a sociedade, conforme o interesse público. Contudo, apesar de sua importância, não existem mecanismos eficientes para comunicá-las aos cidadãos. Por outro lado, a iniciativa privada utiliza diversas mídias digitais de forma consistente e efetiva. Após compreender a norma como conhecimento, este estudo buscou identificar mídias digitais que poderiam ser utilizadas para aprimorar a comunicação de normas por organizações públicas, visando o seu cumprimento. As normas utilizadas como referência foram as relacionadas ao Cadastro Técnico Federal de Atividades Potencialmente Poluidoras e Utilizadoras de Recursos Ambientais – CTF/APP, gerenciado pelo IBAMA. A pesquisa foi limitada ao Estado de Santa Catarina – Brasil, no qual o CTF/APP é gerenciado de forma integrada com o Cadastro Ambiental Legal, o qual utiliza os mesmos parâmetros e o mesmo sistema eletrônico. Como resultado, identificou-se um grande potencial para a utilização de softwares de automação de e-mail, que podem atuar como mídia do conhecimento, com a utilização de técnicas de marketing social.

Cambruzzi da Silva, Christian. Poética da Corporeidade na Gerações de Ideias para Aplicações de Realidade Aumentada .

Esta pesquisa examina a poética da corporeidade na geração de ideias para aplicações de Realidade Aumentada (RA). Delimita-se a geração de ideias para o processo do design de interação. Em seu percurso, o presente trabalho trata a RA como motor poético para a corporeidade, condição humana de existência. Para compreender essa condição de existência, o trabalho discute a noção de corpo a partir de abordagens filosóficas e, em particular, da fenomenologia. Ainda, apresenta o corpo a partir de abordagens sociológicas e antropológicas. Com base nas ciências da cognição, o trabalho considera o corpo como parte do processo cognitivo. A partir da filosofia da tecnologia, discute-se a tecnicidade como condição de existência para a corporeidade. Esta investigação também assume o corpo como mídia, com base em estudos da fenomenologia e das mídias. Por se tratar de mídia, o corpo se caracteriza como uma força poética pela sua capacidade de produzir e revelar mundos. Pela sua capacidade de informar gestos, movimentos. Posteriormente, a pesquisa apresenta o conceito, características, princípios e práticas da RA. Foca-se em princípios que ilustram o papel do corpo nesse paradigma de interação. Ademais, o estudo discorre sobre a RA como força poética para a corporeidade e como extensão do corpo humano. A investigação também examina o corpo como recurso para a geração de ideias. Para sustentar a noção de corpo como recurso, o material textual também identifica métodos, técnicas, ferramentas (MTFs) e outros recursos que apoiam a experiência corporal na fase de ideação. No que concerne às MTFs, a pesquisa visa dar ênfase ao bodystorming, método de ideação discutido e aplicado por parcela significativa dos autores citados no decorrer do estudo. O trabalho discute recursos complementares, como objetos e configurações socioespaciais, como fontes generativas de ideias. O estudo também comenta a implicação de outras áreas do conhecimento no processo de ideação. A pesquisa se caracteriza por uma abordagem qualitativa. Assume-se o paradigma interpretativista como concepção filosófica, de maneira a sugerir que a realidade é produto da experiência. Pelo caráter interpretativista, o estudo adota a Análise de Discurso (AD) como estratégia de investigação. Trata-se de uma disciplina que se interessa pelas falas ou, em específico, exposição de ideias. No que diz respeito aos métodos específicos de pesquisa, o trabalho estabelece uma pesquisa de campo. A pesquisa de campo compreende um workshop que, por sua vez, se estrutura em um seminário, duas sessões de bodystorming e uma prática de percepção corporal. A coleta de dados se dá por práticas de observação e entrevistas semiestruturadas. A análise e interpretação dos dados se configura por meio de dispositivos teóricos e analíticos da AD. Tem-se como resultado um objeto discursivo, constituído pela discussão de condições estritas e amplas de produção de sentido. Por fim, há a produção do sujeito como efeito do discurso da corporeidade, como efeito do contexto imediato, das configurações socioespaciais, do método bodystorming, da prática de percepção corporal e dos princípios de Realidade Aumentada.

Nascimento Machado. Luciano Aparecido. MATURIDADE EM GESTÃO DO CONHECIMENTO NA COORDENADORIA DAS FORTALEZAS DA ILHA DE SANTA CATARINA – CFISC.

Na atualidade o conhecimento é reconhecido como principal ativo nas organizações e a verdadeira fonte geradora de valor, o que demanda a urgência de gerenciá-lo no contexto organizacional. Essa demanda se faz presente na gestão de patrimônios culturais. O estado brasileiro busca o reconhecimento do valor excepcional e universal- VUE dos bens patrimoniais listados na candidatura do Conjunto de Fortificações Brasileiras a Patrimônio Mundial da Humanidade. A Carta do Recife, documento norteador para gestão de patrimônios culturais, produzido para apoiar essa candidatura, apresenta diretrizes para a gestão de patrimônios das quais, se destaca, fomentar a gestão do conhecimento para preservar a memória e estimular o turismo cultural. Deste conjunto duas fortalezas, o Forte de Santo Antônio de Ratones e a Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim, estão sob administração da UFSC, por meio da gestão da coordenadoria das fortalezas da Ilha de Santa Catarina – CFISC, responsável pela guarda, manutenção e valorização desses patrimônios. Desta forma a Gestão do Conhecimento – GC é uma demanda real desta organização. Uma iniciativa de GC deve estar apoiada em um diagnóstico de maturidade. Diante disso, o objetivo geral desta pesquisa é: analisar o grau de maturidade em gestão do conhecimento na coordenadoria das fortalezas da ilha de Santa Catarina- CFISC. E se caracteriza como uma pesquisa científica, de natureza aplicada, qualitativa, exploratória-descritiva que foi elabora a partir de um estudo de caso. Os dados foram coletados e analisados a partir de uma triangulação entre aplicação de um instrumento de avaliação de maturidade em GC, pesquisa documental e entrevistas. A coleta dos dados se deu de em fases distintas segundo a metodologia desenhada para cada fase da pesquisa. A aplicação do instrumento de avaliação foi realizada em maio de 2021, sendo que o questionário respondido por 6 servidores da CFISC. Por sua vez a pesquisa documental ocorreu concomitantemente a fase anterior, apoiada em documentos oficias e informações divulgadas em sites oficias ligados a estrutura organizacional da CFISC. E por fim as entrevistas foram realizadas em julho de 2021 com 4 servidores, os quais são responsáveis diretamente pela gestão das Fortalezas. O que possibilitou analisar a maturidade em GC na CFISC com amplitude. O nível de maturidade em GC na CFISC é de introdução, expansão. Há práticas de CG em algumas áreas da organização, porém ainda estão ocorrendo de forma individual e não organizacional, não estão institucionalizadas. Não são usadas com a finalidade principal de identificar, cria, armazenar, compartilhar e aplicar o conhecimento. A organização está em fase de elaboração de seus diretrizes estratégicas. É fundamental o alinhamento destes direcionados aos objetivos da GC. A competência essencial, a singularidade, de ser a única universidade a gestora das fortificações deve ser alinhada à sua missão e visão. Todavia, a análise feita nesta pesquisa, apontou que a CFISC tem carências de processos para a retenção do conhecimento crítico organizacional. Por fim, acredita-se que os resultados encontrados poderão auxiliar na implementação de GC nesta coordenadoria e basear novas pesquisas que envolvam a Gestão do Conhecimento e a gestão de patrimônios, do ponto de vista da maturidade em GC e das práticas

Oliveira Chaves. Jefferson de. EGCFlow: Uma aplicação de apoio ao ciclo de vida de dados abertos conectados

A web se consolidou como principal meio para se publicar, obter e compartilhar informações na internet. Como uma expansão natural da web, surgiram os conceitos de Dados Abertos e Dados  Abertos Conectados, que podem ser compreendidos como um conjunto de melhores práticas para publicação e conexão de conjuntos de dados de forma estruturada na web. Entretanto, o processo de produção e manutenção de conjuntos de dados abertos conectados, constitui-se como uma tarefa complexa e onerosa, mas necessária no cenário de expansão da web de dados. Diante disso, utilizando-se o método Design Science Research, com vistas a formular uma solução para um  problema prático, apresentou-se a modelagem e implementação de uma aplicação para suporte à produção e a manutenção de Dados Abertos Conectados, por meio da automatização dos fluxos de  trabalho. A aplicação apresentada, intitulada de EGCFlow, fundamentou-se na aplicação das Boas Práticas para Publicação de Dados Conectados e das Boas Práticas para Publicação de Dados na  web com objetivo de atingir o nível máximo no Plano de Dados Abertos 5 Estrelas. Como caso de uso, apresentou-se o conjunto de dados das Eleições de 2018. Foram criados workflows para a  produção de dados abertos, a partir da reutilização de fluxos já existentes. Como resultado foi possível verificar a aplicabilidade e contribuição da aplicação para a produção de conjuntos de dados abertos conectados, garantindo escala e repetibilidade a esse processo.

Stofella. Arthur. Equilíbrio entre fidelidade e play: Modelo para a elaboração de jogos sérios na área da saúde

O crescimento da indústria de jogos digitais permitiu que o alcance dos jogos tenha se expandido para além do entretenimento. É nesse espectro maior que se encontram os jogos sérios, compreendidos como aqueles que possuem um propósito além da diversão, com finalidades de ensino, aprendizagem, capacitação ou mudança de atitude do usuário. O uso de jogos para capacitação tem se tornado uma plataforma com crescente popularidade dentro da área da saúde, auxiliando no aprimoramento de conhecimentos e habilidades em um ambiente seguro para os estudantes e profissionais, visando a segurança e a saúde do paciente. O conteúdo dos jogos sérios para a área da saúde deve estar de acordo com a sua contraparte do mundo real, de modo que a resolução dos problemas no ambiente virtual reflita o processo que é realizado no mundo físico. Entretanto, esse conteúdo ‘sério’, de aprendizado, deve estar em equilíbrio com a parte ‘não-séria’, de entretenimento, de maneira que ambas favoreçam o propósito do jogo. Assim, essa dissertação propõe um modelo conceitual para projetar o equilíbrio entre o grau de fidelidade e os fatores de jogos relacionados à diversão, engajamento e motivação no design de um jogo com propósito de capacitação de estudantes da área da saúde. Aplicou-se parte da abordagem de Design Science Research (DSR) como método de pesquisa organizada em 5 etapas: Conscientização, Sugestão, Desenvolvimento, Avaliação e Conclusão. Para a realização da primeira etapa foi efetuada uma revisão narrativa de literatura e posterior análise das características de jogo responsáveis por incentivar a motivação, engajamento e diversão do jogador, dividindo-os em três grupos: Mundo do jogo, Mundo da interação e Mundo do jogador. Em seguida buscou-se compreender e discutir o elemento de Fidelidade dentro dos jogos sérios, de modo a determinar suas relações com os outros elementos do modelo e sua representação. Ainda na etapa de Conscientização, foi realizada outra revisão narrativa de literatura para encontrar modelos pré-existentes que auxiliam na elaboração de jogos sérios. Isto teve a finalidade de elaborar um guia formal e de conteúdo para a concepção do modelo conceitual. Com base nas informações coletadas, a etapa de Sugestão e Desenvolvimento puderam ser realizadas, levando em consideração o conhecimento existente na literatura e o componente de criatividade intrínseco a essa etapa. O resultado obtido demonstra um modelo conceitual que serve de ferramenta para auxiliar o desenvolvimento de jogos sérios. Cabe destacar aqui que a etapa de Avaliação não foi realizada, sendo determinada como um trabalho futuro a ser desenvolvido. Este modelo ressalta que o componente de Fidelidade deve estar relacionado tanto com o conteúdo de aprendizado do jogo quanto com as características de jogo que priorizam o engajamento, motivação e diversão do jogador. Assim, o modelo destaca que a situação real, o conteúdo da disciplina e o propósito do jogo sério servem como guia para as decisões relacionadas aos aspectos narrativos, desafios, regras, possibilidades de interação, entre outros que estruturam o jogo e com os quais o jogador terá contato ao jogar. Busca-se com a elaboração de um modelo conceitual contribuir para o cenário de pesquisa e desenvolvimento dos jogos sérios.

BRITTOS VALDATI, Aline de. GESTÃO DE IDEIAS E SEUS ESTÁGIOS EVOLUTIVOS: UM MODELO DE MATURIDADE

Gerenciar ideias representa um elemento estruturante importante no processo de inovação, haja vista que estudos recentes a colocam como uma das dimensões que mais influenciam a capacidade de uma empresa inovar e está diretamente relacionada a sustentabilidade da inovação. É neste momento que se busca reduzir as incertas; dar maior robustez as ideias ou ainda abortar a mesma, caso seja necessária. Destaca-se que qualquer mudança nesta etapa, ainda tem custo menor do que nas etapas subsequentes do processo de inovação. No entanto, muito se tem focado em como gerar novas ideias, tanto internas quanto externas, mas poucas pesquisas se concentram em como gerenciar esse fluxo de ideias e em como as organizações estão evoluindo a este respeito. Diante disto, esta tese tem como objetivo a proposição de um modelo de maturidade de Gestão de Ideias em organizações inovadoras. Para isto, optou-se pelo uso da Design Science Research (DSR) caracterizando esta tese como uma pesquisa tecnológica a luz da Design Science. Dentre os métodos utilizados nas etapas da DSR, optou-se por pesquisas bibliográficas, revisão integrativa e buscas sistemáticas. Além destas, visando maior interação entre academia e as práticas organizacionais, foram realizadas também, grupo focal e entrevistas semiestruturadas em profundidade com especialistas durante a fase de desenvolvimento do modelo. Como resultados, foi criado um Modelo de Maturidade de Gestão de Ideias (M2GI). A construção e análise do modelo proposto junto a especialistas mostrou consonância teórica e uma lógica estrutural convergente com a prática organizacional. O modelo é composto por duas dimensões macro (Ambiente e Operadores), bem como, outras cinco dimensões que remetem as fases que a Gestão de Ideias pode vir a ter (Preparação, Geração, Coleta e Enriquecimento, Base de Conhecimento, Avaliação, Seleção e Priorização e por fim, Feedback e Acompanhamento). Essas são compostas por 33 atributos que representam as melhores práticas e fatores críticos de sucesso para a Gestão de Ideias que evoluem em quatro níveis (Reação, Iniciação, Expansão e Maturação). Ao visar seu uso, o modelo teve sua aplicabilidade verificada junto a três organizações de base tecnológica, com sede em Santa Catarina. De sua aplicação, constatou-se seu potencial de uso para orientar os gestores de inovação e novos negócios quanto ao andamento de iniciativas para gerenciar ideias. Pois, permitiu, por meio dos seus atributos caracterizar a organização quanto ao grau de evolução em cada um deles. Constatou-se que as organizações mais maduras fazem uso de práticas, técnicas e ferramentas de gestão do conhecimento não tecnológicas. No entanto, quando se trata de ferramentas tecnológicas e sistemas, seu uso é pontual em iniciativas com um número maior de ideias. Verifica-se também a existência de um processo, mesmo que este já esteja imbuindo a outros processos da organização. Contatou-se também que há a necessidade de abertura em alguns pontos do processo, principalmente na criação e na validação/seleção das ideias. Por fim, conclui-se que o modelo proposto contribui para a teoria científica da gestão da inovação, pois configura um mecanismo para auxiliar na melhoria dos processos de inovação, especialmente para gerenciar e otimizar ideias em iniciativas que objetivam inovar.

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Barcelos da Silva. Luana. Proposta de instrumento para identificar a obsolescência do conhecimento organizacional.

Ao longo do tempo, assim como os indivíduos acumulam conhecimentos por meio dos processos de aprendizagem, as organizações também apresentam essa mesma dinâmica. Parte desse conhecimento que foi institucionalizado na organização pode se tornar obsoleto à medida que se altera a realidade organizacional. Por isso, percebe-se que, tão importante quanto adquirir novos conhecimentos, é identificar e reconhecer o conhecimento que se tornou obsoleto, para então desaprendê-lo, sendo esta uma das atividades centrais da desaprendizagem. Portanto, esta pesquisa propõe como objetivo geral a elaboração de um instrumento para identificar o conhecimento obsoleto a ser desaprendido na organização. Para isso, levantou-se e analisou-se por meio de revisão sistemática da literatura sinais e sintomas que anunciam a presença do conhecimento obsoleto a ser desaprendido, e ainda se mapeou características organizacionais que podem agir como facilitadores ou barreiras da desaprendizagem. Para a elaboração do instrumento, recorreu-se aos métodos mistos de pesquisa. Após serem feitas reflexões sobre a literatura, propôs-se um instrumento do tipo questionário survey, em que as questões foram elaboradas de acordo com sinais, sintomas, barreiras e facilitadores, transformando-os em variáveis observáveis. A primeira versão do instrumento foi submetida à amostra de 160 participantes com vínculo organizacional, na qual foi possível encontrar, por meio da análise multivariada de dados, evidências de validação do instrumento. Como resultado, obteve-se a melhor estrutura latente nos dados, que ao serem interpretados com base na literatura foram categorizados em seis dimensões de análise: Ambiente Organizacional, Comportamento do Grupo, Cultura Organizacional, Tecnologia, Indivíduo e Rotinas. Estes, ao serem investigados, podem identificar o conhecimento a ser desaprendido, dando origem à segunda versão do instrumento. Considera-se que os resultados da pesquisa contribuem com a conceituação do constructo, aprofundando-o e consolidando-o como uma metáfora que auxilia na compreensão do fenômeno nas organizações. Além disso, o instrumento proposto auxilia a identificar o(s) conhecimento(s) que precisa(m) ser desaprendido(s). Para trabalhos futuros, recomenda-se a continuidade da validação por meio de técnicas estatísticas complementares, mais especificamente análise fatorial confirmatória.

Bertoncini. Isabella.Liderança-como-prática em um Cartório Eleitoral do Estado de Santa Catarina. Este estudo de caso teve como objetivo compreender as práticas de liderança sob a perspectiva da Liderança-como-prática (L-A-P), em um cartório da Justiça Eleitoral do Estado de Santa Catarina. Para tanto, foram utilizados o método qualitativo, a análise documental e entrevistas estruturadas com integrantes desse cartório. Como aporte teórico, foi realizada uma revisão integrativa sobre L-A-P e nenhum estudo no contexto dos cartórios eleitorais foi localizado. A análise temática dos dados coletados nas entrevistas foi realizada à luz da Teoria da Prática Social (Schatzki) e da ontologia DAC – direção, alinhamento e comprometimento –, em que se identificou seis práticas de liderança: diálogo com os membros da equipe, gestão de conflitos, gestão compartilhada, ação colaborativa, promover o engajamento com o trabalho e inovação. A prática que apresentou maior densidade no processo de liderança foi promover o engajamento com o trabalho. Na análise das estruturas de governança das práticas de liderança destacaram-se os entendimentos de saber se comunicar e saber manter o bom relacionamento interpessoal; as regras referentes aos valores do planejamento estratégico do TRESC, especialmente respeito, comprometimento, integração e flexibilidade; e as estruturas teleoafetivas de manter a harmonia no ambiente de trabalho e fortalecer a coesão do grupo, envolvendo os sentimentos de gratidão, união, confiança, senso de pertencimento, respeito e orgulho de pertencer. Constatou-se que a forma de atuação do fenômeno social é participativa, colaborativa, negociada e, na duração, há previsibilidade, transitoriedade e mutabilidade. Conclui-se que a) a liderança no cartório em estudo ocorre nas práticas do dia a dia, por meio de processos dinâmicos que envolvem a interação social do grupo, e exige que a equipe lide com imprevistos, situações emergentes e inesperadas, especialmente em anos eleitorais; b) os processos de liderança são compartilhados, com tendências colaborativas; c) há uma relação recursiva entre o contexto do cartório eleitoral e as práticas de liderança; d) existe constante interação entre as práticas de liderança no Cartório A, e umas interferindo nas outras, formando uma malha de práticas com base em uma ou mais atividades, em sistemas onde a ordem está sendo constantemente quebrada e reconstruída; e) um micro conjunto de práticas, formado por mais de uma prática, mas não da sua totalidade, afeta as demais, podendo estabelecer a “ordem” e/ou a “desordem” social; f) a liderança no cartório eleitoral estudado é um processo coletivo, que emerge na execução de um conjunto de práticas interconectadas, voltadas à definição do DAC no grupo, alinhando a perspectiva da liderança-como-prática.

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