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VIEGAS, Cláudia Viviane. Atividades de Gestão do Conhecimento na elaboração do Estudo de Impacto Ambiental. Tese, 2009.

A pesquisa analisa o processo de elaboração do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) sob a ótica das atividades de Gestão do Conhecimento (GC) dos consultores que nele atuam. O objetivo principal é propor uma estrutura de análise do EIA relativa ao processo de construção do conhecimento de seus elaboradores, considerando as relações entre conhecimentos implícitos e explícitos. As atividades de GC são investigadas segundo um referencial teórico baseado em três vertentes: revisão da literatura sobre elaboração do EIA; conhecimento epistemológico e crítico sobre esses estudos acumulado ao longo de quase quatro décadas e expresso em 32 pesquisas selecionadas; crítica e realinhamento de referenciais teóricos de GC. Tais referenciais são redesenhados segundo abordagens normativa, interpretativa, crítica e dialógica, numa adaptação da proposta de Burrell e Morgan (1979). As atividades selecionadas – aquisição, validação e inter-relação de conhecimentos – são associadas às abordagens, compondo uma estrutura que serve de partida para três instrumentos de investigação: um survey, um protocolo de análise documental e um protocolo comparativo entre resultados do survey e da análise documental. O survey é aplicado a 33 elaboradores de EIAs no Rio Grande do Sul, os quais integram as consultorias mais representativas nesta área, em nível estadual. O protocolo documental é aplicado a seis EIAs, pertencentes a setores que compõem cerca de 60% os 156 estudos registrados no órgão ambiental estadual entre os anos 1970 e 2007. A avaliação comparativa considera 18 consultores de EIA – que estão entre os 33 participantes do survey e são consultores dos EIAs analisados – três especialistas por EIA. Os resultados do survey mostram que a aquisição de dados e informações sobre legislação do EIA é um trabalho predominantemente individual no qual o coordenador tem um papel relevante (abordagem normativa); a validação do conhecimento do EIA é um processo empírico (abordagem interpretativa); o EIA carece de planejamento, contém excesso de informações desnecessárias e faltam-lhe informações necessárias (abordagem crítica); os elaboradores consideram que o EIA deve ser guiado à sustentabilidade e à tomada de decisão, porém apresentam dificuldade em expressar o significado de sustentabilidade e de relações multi, inter e transdisciplinares no contexto do EIA (abordagem dialógica). Dos seis documentos analisados, dois não cumprem 50% dos requisitos estabelecidos. A comparação entre resultados do survey e da análise documental mostra que apesar do elevado grau de empirismo na validação do conhecimento do EIA, expresso pelos consultores, os documentos por eles elaborados apresentam metodologia clara e/ou bem direcionada, o que leva à conclusão de que o conhecimento “arraigado à mente” (embrainded) dos profissionais é capaz de compensar a falta de metodologias formais de validação. Destaca-se o caráter exploratório e o ineditismo da proposta, a qual considera o EIA um processo de construção do conhecimento que depende da articulação de saberes implícitos e explícitos, o que não tem sido objeto de investigação no campo da pesquisa em EIA no Brasil.

Link para download: Claudia Viviane Viegas

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